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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Poema

É chato não ter criatividade para títulos...

Mas enfim, estava fazendo prova de literatura e a professora colocou um poema que eu acho muito bonito do Carlos Drummond de Andrade.
Então, a Iselo disse "posta no bobagens *-*", e eu resolvi postar.
Então, está aí, para os apaixonados e aos não-apaixonados (afinal, todos tem um coração (?)) que gostarem (mesmo que ainda não estejamos perto do dia dos namorados rs).

Balada do Amor através das Idades

Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
Matei, brigamos, morremos.

Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.

Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria do meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal-da-cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também.

Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.

Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é loura notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói de Paramount,
te abraço, beijo e casamos.

Espero que tenham gostado :*

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