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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Adaville.

Ela sabia que ele faria isso. Quando o rapaz se levantou no meio da noite e entrou na cozinha silenciosamente, Maria já o esperava na porta segurando suas malas.
     "Ao menos leve suas roupas. Elas me lembram você, tire-as daqui."
     "Gosta tanto assim de mim? Talvez eu possa ficar..."
Quanto mais ele se aproximava, mais seu estômago teimava em dar reviravoltas.
     "Por favor, não se aproxime de mim. Suas roupas têm cheiro de peixe e me lembram essa experiência terrível que passei."
     "Não se faça de difícil, gracinha. Eu sei que você me quer."
O cheiro de animal morto das mãos duras que a acariciavam era demasiado desgostoso. Tanto quanto o próprio homem à sua frente. Não pôde mais segurar o anseio de usar o que Deus lhe concedeu. Olhou-o firmemente. Seus olhos castanho-escuros e impenetráveis ficaram mais brilhantes e gélidos. Ela afastou delicadamente aqueles cascos imundos de seu rosto e proferiu:
     "Saia."
Tão logo a ordem foi acatada e ela estava sozinha novamente. Como pudera rejeitar solidão tão amistosa?
Seus dias de sossego certamente voltariam... Tolice! Fantasmas de seu futuro e passado estariam a cercá-la como sempre. Bem como sua mãe dizia: "Mente vazia, oficina do diabo"... Como se ela não fosse o próprio capeta.




[Iselo*09/06]

Um comentário:

  1. Hum... Gostei mais dessa versão... Ficou mais interessante /o/

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